Todos nós temos mania de arredondar os números. Talvez seja por isso que muitos se assustam ao completar 20, 30, 40 ou 50 anos. Para mim, não faz a menor diferença ter 29 ou 30. O que conta mesmo é o aniversário. Uma data querida, como diz a música…e que normalmente bate aquele flashback. E esse ano não foi diferente. Então resolvi colocar aqui um pouco do filme que tem passado pela minha cabeça, que está dividido em três episódios de 10 anos cada.
A primeira foi a fase do apartamentinho da Iraí, da mudança para a Pascal, dos meus padrinhos e meu batizado, do sítio do Vô Fernando, das músicas da Vó Conceição, das histórias da Vó Dirce, da casa na praia do Vô Adolpho, do Guaraná Antártica no biso Felício, da bisa Carmen na cadeira de balanço, das visitas à bisa Laurentina e à tia Teresinha, dos passeios de moto com meu pai, das tardes de estudos com a minha mãe, do tio que era um irmão mais velho, do dia que nasceu meu irmão, do dia que nasceu a minha irmã, da primeira comunhão, dos banquetes na tia Ester e tio Nardo, do primeiro jogo do Corinthians, do Sapequinha, da Terra Nova, do Santo Américo, das anotações na caderneta, do dia do boletim, to Tae Kwon Do, da natação, do troféu de artilheiro do Indiano…
A fase intermediária foi a mais agitada. Os longos anos de Bandeirantes, o mesmo colégio da tia Valéria, que é casada com o meu ortopedista, o Dr Tarcísio, os longos treinos de futebol, as muletas, a mudança pra Arandu, a turma da Grapê, as meninas do Pequê, o sítio do Beto, os bailinhos e a dança da vassoura, a primeira namorada, as primeiras baladas, o Resumo da Ópera, a Kripton, as ajudas na Furabolo, as primeiras notas vermelhas, a recuperação de Filosofia, o cursinho, o vestibular, a fase careca, os primeiros anos da GV, o primeiro carro, a Disney, os cachorros Michael e o Leo, a tartaruga Ciçi, o papapaio Edmundo, a mudança pra Miranda Guerra…
Aí veio a fase mais barulhenta, do work hard, play hard, dos namoros mais longos à volta pra balada, das Ciências Sociais na USP, da formatura na GV, do intercâmbio no Canadá, do primeiro estágio, dos super-estags, dos amigos do Boston, da mudança pra Boston, da volta pra São Paulo, da mudança de trabalho, da fase mais responsável, da fase mais irresponsável, da Vila Madá com os brothers todo Santo Domingo, do Rasgueira, das viagens, dos carnavais em Salvador, dos mochilões na Europa e na América do Sul, da saída de casa, do apê da Guararapes, do chefe fantástico da Merrill, dos amigos incríveis do ING, da volta pra casa antes de mudar para Londres, da volta aos estudos, das novas viagens pela Europa…
Foram três ciclos perfeitos. E fico muito feliz por ter passado por todos eles. Algo me diz que vem algo novo por aí. Quer queira, quer não, esse novo ciclo começa diferente. No antigo continente. Com novos e velhos amigos. E com muita saudade do Brasil e da família…Enfim, acho que é hora de terminar o post. Acabo de fazer 30 anos aqui em Londres. Mas em São Paulo ainda tenho 29. Viram? É tudo relativo. Não estou ficando velho!


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