[Futebol-Arte]

24 06 2009

capela

Muitos consideram o futebol uma arte. E que o jogador de futebol deve ser comparado a um artista. Se realmente considerarmos o esporte como uma arte, imagino que nunca tantas pessoas entenderam tanto de arte e conheceram tantos artistas como nos dias de hoje. Quando pensamos em artistas, normalmente os nomes que vêem à nossa cabeça são de Picasso, Da Vinci, Beatles, Elvis, Fellini, Spilberg, Shakespeare, Marlon Brando, Marylin Monroe, Charles Chaplin… e nunca de Pelé, Garrincha, Maradona, Zidane, Cruyff, Beckenbauer, Ronaldo, Messi ou Kaká. E por que não?

Para mim são vários os motivos para considerarmos o futebol uma arte: 1) Apresentação: nos dias de hoje, os estádios onde grande parte desses artistas da bola jogam, são considerados templos do futebol; 2) Números: as cifras que envolvem as transferências de jogadores são astronômicas e condizentes com as que recebem muitos artistas; 3) Popularidade: os boleiros têm os rostos mais populares do planeta e muitos deles são perseguidos pelos Paparazzi como celebridades; 4) Audiência: a Copa é o evento televisivo mais assistido no mundo e as torcidas e histórias dos clubes são até retratadas em filmes; 5) Obras de arte: os gols e jogadas são considerados obras-primas e merecem muitas vezes placas e bustos.

Acredito que a grande polêmica do futebol ser uma arte ou não se dá pelo fato de, em muitos lugares, o futebol ser um evento marginalizado. Diferentemente da Europa, onde os estádios estão todos lotados e são freqüentados pelos mesmos freqüentadores de teatros, cinema e shows, o futebol nos países subdesenvolvidos é um evento popular, esvaziado de talentos e muitas vezes cercado pela violência das torcidas uniformizadas.

Onde estão nossos jogadores? Eles partem para os palcos europeus na primeira oportunidade que surge, em busca de seus percentuais nas transferências, salários mais altos, segurança e melhor qualidade de vida para toda família. E por causa disso, muitos cidadãos não se conformam com o status que jogadores medianos ou de meninos de 15 anos passam a ter de um dia para outro em seus países, ganhando em um mês o que uma família humilde não junta em uma vida inteira. Como estão nossos estádios? Esvaziados, pois não fornecem uma condição mínima de infra-estrutura, com poucos banheiros (químicos!), sem lugares marcados, pontos-cegos, acessos precários, dificuldade de estacionamento e transporte público, filas enormes para compra de ingressos, flanelinhas, cambistas, ambulantes, falta de segurança, gramados terríveis. E nossos clubes? Pensando a curto-prazo, endividados até o pescoço, com enormes processos judiciais, reféns de empresários e agentes de futebol, pouco preocupados com categorias de base e campos de treinamento, no vermelho por causa da má administração dos estádios, dependentes de diretorias amadoras, com bens penhorados em função de dívidas com ex-jogadores, extremamente dependentes das vendas de jovens revelações…

Infelizmente, essa é a realidade do futebol no mundo subdesenvolvido. E para você, futebol pode ser considerado uma arte?





[Nas curvas da vida]

4 11 2008

Nunca a metáfora da curva foi levada tão ao pé da letra como no último Domingo. Fazia mais de 14 anos que o Domingo não era Domingo para o povo Brasileiro. Eu passei a odiar o Domingo depois de ter acordado cedo no dia 1 de Maio de 94 para ver meu maior ídolo de infância bater e morrer na curva Tamburello. A partir daí, desisti da Fórmula 1. Mesmo por que nunca acreditei que haveria alguém por quem eu pudesse acordar cedo num Domingo para torcer por um carro de corrida. Alguém que fosse um herói para o país, alguém que representasse o sucesso, que trouxesse alegria aos ricos e (principalmente) aos pobres, que erguesse a bandeira brasileira com orgulho.

Hamilton campeão

Hamilton campeão

Mas de dois anos para cá, isso tudo mudou. O alemão heptacampeão se aposentou e apareceu um piloto espetacular na Fórmula 1. O primeiro piloto negro da Fórmula 1. Arrojado, com instinto de piloto, disciplinado, contestado e muitas vezes arrogante. Lembrava muito Ayrton Senna. Ele fez a estréia na Fórmula 1 em 2007 e foi a melhor estréia de um piloto na categoria. Perdeu o campeonato do ano passado por pouco, muito pouco. E veio para 2008 para ganhar. E ganhou e se tornou o piloto mais novo da história a ser campeão. Mas por pouco, muito pouco, quase perdeu o campeonato para um super-herói Brasileiro, na maior corrida de todos os tempos da Fórmula 1.

Felipe, o novo herói

Felipe, o novo herói

Felipe Massa não ganhou o campeonato, mas re-conquistou a torcida Brasileira. Precisava chegar em primeiro e torcer para o Hamilton chegar em sexto. O que estava acontecendo até duas curvas do final da corrida, quando Hamilton foi ajudado por São Pedro e passou o quinto colocado debaixo de muita chuva na curva do Café. Foi muito emocionante. A torcida, Massa e a família comemoravam e só souberam depois que o Inglês havia sido campeão. Mas a esperança ressurgiu para o povo Brasileiro. Na temporada de 2008 nasceu um piloto guerreiro, técnico, que soube aprender com os erros das outras temporadas e acertar o carro como ninguém. E, como um super-herói, fez com que o Domingo voltasse a ser Domingo no Brasil.