[A capital do mundo]

24 09 2008
O velho e o novo na City

O velho e o novo na City

Um dos fatos que faz Londres ser especial é o de ser terra de ninguém. Em Londres, capital do Reino Unido, o que você menos vê é Inglês. Para não falar que não vi, o primeiro táxi que peguei por aqui, ao desembarcar no Aeroporto, era dirigido por um educado inglês. Mas logo tudo mudou…

Vieram os Australianos do Macquarie, companheiros de viagens e de baladas; os Brasileiros da Unilever e da London Business School; os Colombianos do IELTS, companheiros de futebol; as Canadenses, Americanas, Australianas e Neo-Zelandesas do Contiki; as nossas amigas Italianas do Cruzeiro; as Brasileiras, Americanas e Russas de Barcelona; o Japonês, a Nigeriana, o Espanhol, a Russa, a Alemã, a Venezuelana, as Colombianas, as Malasianas do curso de Business; os PhDs do Quênia, da Malásia, de Londres e de Liverpool (ah, enfim outros dois ingleses); a nossa querida housekeeper, Colombiana; os nossos vizinhos Paquistaneses, da famosa Brick Lane; a Portuguesa que corta o meu cabelo; o Brasileiro que fez nossa mudança; o segurança Senegalês que nos ajuda a furar fila na balada; os Indianos que nos atendem no supemercado; os Chineses do nosso restaurante all-you-can-eat; os Franceses, adversários de futebol society; a nossa panelinha Brasileira, tanto de antigos amigos do Brasil , como de novos amigos de Londres; isso sem contar os milhares de turistas do mundo todo que passam por aqui e nos pedem informações todo santo dia sobre a cidade.

É isso que faz a agitada Londres ser a capital do mundo. Estima-se que povos que falam 300 línguas diferentes vivam por aqui. E para fugir dessa bagunça-organizada, os ingleses tendem a se mudar para as regiões mais tranqüilas que cercam Londres, ou mesmo para as cidades do interior, como Liverpool e Manchester. Eles reclamam, mas no fundo devem estar acostumados com essa invasão de estrangeiros e mistura de povos, afinal faz 2000 mil anos que a cidade vem sendo dominada por Romanos, Anglo-Saxões, Vikings, Saxões…





[Trinta]

9 09 2008

Todos nós temos mania de arredondar os números. Talvez seja por isso que muitos se assustam ao completar 20, 30, 40 ou 50 anos. Para mim, não faz a menor diferença ter 29 ou 30. O que conta mesmo é o aniversário. Uma data querida, como diz a música…e que normalmente bate aquele flashback. E esse ano não foi diferente. Então resolvi colocar aqui um pouco do filme que tem passado pela minha cabeça, que está dividido em três episódios de 10 anos cada.

A primeira foi a fase do apartamentinho da Iraí, da mudança para a Pascal, dos meus padrinhos e meu batizado, do sítio do Vô Fernando, das músicas da Vó Conceição, das histórias da Vó Dirce, da casa na praia do Vô Adolpho, do Guaraná Antártica no biso Felício, da bisa Carmen na cadeira de balanço, das visitas à bisa Laurentina e à tia Teresinha, dos passeios de moto com meu pai, das tardes de estudos com a minha mãe, do tio que era um irmão mais velho, do dia que nasceu meu irmão, do dia que nasceu a minha irmã, da primeira comunhão, dos banquetes na tia Ester e tio Nardo, do primeiro jogo do Corinthians, do Sapequinha, da Terra Nova, do Santo Américo, das anotações na caderneta, do dia do boletim, to Tae Kwon Do, da natação, do troféu de artilheiro do Indiano…

Há 30 anos

O começo...

A fase intermediária foi a mais agitada. Os longos anos de Bandeirantes, o mesmo colégio da tia Valéria, que é casada com o meu ortopedista, o Dr Tarcísio, os longos treinos de futebol, as muletas, a mudança pra Arandu, a turma da Grapê, as meninas do Pequê, o sítio do Beto, os bailinhos e a dança da vassoura, a primeira namorada, as primeiras baladas, o Resumo da Ópera, a Kripton, as ajudas na Furabolo, as primeiras notas vermelhas, a recuperação de Filosofia, o cursinho, o vestibular, a fase careca, os primeiros anos da GV, o primeiro carro, a Disney, os cachorros Michael e o Leo, a tartaruga Ciçi, o papapaio Edmundo, a mudança pra Miranda Guerra…

Aí veio a fase mais barulhenta, do work hard, play hard, dos namoros mais longos à volta pra balada, das Ciências Sociais na USP, da formatura na GV, do intercâmbio no Canadá, do primeiro estágio, dos super-estags, dos amigos do Boston, da mudança pra Boston, da volta pra São Paulo, da mudança de trabalho, da fase mais responsável, da fase mais irresponsável, da Vila Madá com os brothers todo Santo Domingo, do Rasgueira, das viagens, dos carnavais em Salvador, dos mochilões na Europa e na América do Sul, da saída de casa, do apê da Guararapes, do chefe fantástico da Merrill, dos amigos incríveis do ING, da volta pra casa antes de mudar para Londres, da volta aos estudos, das novas viagens pela Europa…

Foram três ciclos perfeitos. E fico muito feliz por ter passado por todos eles. Algo me diz que vem algo novo por aí. Quer queira, quer não, esse novo ciclo começa diferente. No antigo continente. Com novos e velhos amigos. E com muita saudade do Brasil e da família…Enfim, acho que é hora de terminar o post. Acabo de fazer 30 anos aqui em Londres. Mas em São Paulo ainda tenho 29. Viram? É tudo relativo. Não estou ficando velho!

30 anos depois

30 anos depois...





[Trilha Sonora de Londres]

4 08 2008

Outro dia estávamos no churrasco londrino na Ju e ouvi ela e o JC comentando sobre as músicas que mais lembram Londres e o Reino Unido. Como o VFestival está chegando e o frio na barriga aumentando, decidi fazer o meu setlist, com 20 bandas diferentes, 10 mais antigas e 10 mais atuais. Essas têm que ir para o Playlist de vocês antes de virem me visitar. Não deixem de ver os vídeos das top3 e darem os seus palpites!

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Beatles). A maior música de todos os tempos. Ponto. Nunca vou esquecer o Paul tocando essa com o U2 no Live 8 de London.

Don’t Stop Me Now (Queen). Cada vez que ouço, me arrepio. É a cara de Londres. Completa 30 anos em 2008 (assim como eu).

Heroes (D. Bowie). Lembro muito do Bowie tocando essa música no Tributo ao Freddie Mercury, com os membros vivos do Queen.

Brain Damage (Pink Floyd). Acho injusto escolher uma música do DSotM, um dos melhores discos da História. Mas fico com essa. A parte “The lunatic is in my head. The lunatic is in my head” lembra muito isso aqui.

You Can’t Always Get What You Want (Rolling Stones). A minha preferida dos vovôs ingleses do Rock & Roll.

Sunday Bloody Sunday (U2). Talvez a maior música política de todos os tempos. Retrata o Domingo Sangrento em 1972 na Irlanda do Norte, UK.

Brothers in Arms (Dire Straits). Os que conhecem sabem o porquê da música estar aqui. Os que não conhecem, ouçam e saberão.

My Generation (The Who). O Who deu um tapa na cara da Rainha da Inglaterra com a antológica frase “I hope I die before I get old”.

Anarchy in the UK (Sex Pistols). Hino punk cantado todos os dias pelas manhãs em Camden Town.

I Can’t Dance (Genesis). Um clássico. Lembro muito do show gravado no antigo estádio de Wembley.

As outras que vou levar comigo daqui: Valerie (Zutons/Amy Winehouse), Viva La Vida (Coldplay), That’s Not My Name (The Ting Tings), Chelsea Dagger (Fratellis), Warwick Avenue (Duffy), She Moves in Her Own Way (Kooks), Place Your Hands (Reef), The Drugs Don’t Work (Verve), Mr Rock And Roll (Amy MacDonald) e Supermassive Black Hole (Muse).





[Every Little Thing]

29 07 2008

São as pequenas coisas que fazem a diferença. Já ouvi isso por aí um milhão de vezes. Mas demorei 30 anos para entender o real significado. Em Londres, cada um faz a sua parte. Ninguém repara em ninguém. E cada um faz o que quer, obviamente, dentro de um limite. Mas são esses pequenos hábitos, gestos, atitudes, comportamentos, que estou chamando aqui de pequenas coisas, que fazem essa cidade única, incomparável.

Show do Police no Hyde Park

Show do Police no Hyde Park

Aqui você escolhe a sua comida no supermercado, paga você mesmo e vai embora. Não fala com ninguém. Não tem caixa. Segurança. Nada. E coloca suas compras na sua sacola ou mochila. Nada de saquinhos de plástico. Eles existem, mas você corre o risco de ser vaiado no supermercado. Sai do supermercado e vai comer no parque, assistindo um show. Se está sol, você tira a blusa. E isso vale tanto para os homens, quanto para as mulheres. Se cochilar, não tem problema. Sua mochila, carteira, óculos escuros e MP3 player vão estar no mesmo lugar. Todos têm um celular-MP3 player. Ninguém olha para ele com más intenções. Mas eles usam fones de cabeça (headphones), e não de ouvido. Escutam Ting Tings, Zutons, Feeling, Fratellis, Kaiser Chiefs, Duffy, Amy, Kooks, Muse e Kings of Leon com o mesmo prazer que ouvem Beatles, Bowie, Police, Who, U2, Pink Floyd, Stones, Queen, Genesis. O novo e o velho são igualmente respeitados. E isso vale para tudo, não só para a música. No início do dia, todos ouvem música e lêem seus jornaizinhos gratuitos. No final do dia, todos vão para o Pub. Os homens bebem muito. As mulheres bem mais. Pints pra cá, Pimm’s pra lá e alguns shots entre eles. Mas tudo acaba cedo. O metro fecha. A estação de trem também. Todos compram o bilhete do trem, mas ninguém checa se realmente você o comprou.

O velho e o novo

O velho e o novo

Os trens mais chiques têm lugar marcado. Assim como nos estádios de futebol. Aqui o futebol é uma paixão diferente. É campeão o time que não tomar gol. Existe até um jargão para o time que não toma gol: cleansheet. Outras duas palavras muito usadas aqui são Help Yourself. Sirva-se você mesmo, monte você mesmo, enfim, faça você mesmo. Ninguém vai te ajudar. E ninguém vai reparar se você está fazendo certo ou errado. Ou se você está arrumado ou desarrumado. Ou se você é branco, negro, católico, protestante, muçulmano, homem, mulher, gay, criança ou idoso. Todos sabem que cada um tem as suas pequenas coisas. E sabem que são as pequenas coisas que fazem a diferença.